Durante anos, as redes sociais foram protagonistas da transformação digital. Mas nos últimos dois anos, esse reinado foi sendo silenciosamente abalado. A Inteligência Artificial surgiu como uma força avassaladora — e o trono das redes começou a ruir.

A ascensão meteórica da IA não apenas tirou o protagonismo das redes sociais, como também revelou que essas plataformas, outrora tão inovadoras, estão cada vez mais… irrelevantes.
O fim de um ciclo?
A Meta ainda se mantém no jogo — sustentada principalmente pelo Instagram e pelo WhatsApp. Curiosamente, os dois vêm assumindo funções cada vez mais parecidas com o “Facebook da era de ouro”, integrando recursos de negócios, automações e publicidade.
Mas essa reinvenção soa mais como uma tentativa de sobrevivência do que de inovação.

Plataformas como TikTok e Kwai cresceram rápido e colocaram a Meta contra a parede, disputando atenção com vídeos curtos e formatos mais dinâmicos. No entanto, a briga real — e a maior preocupação de Mark Zuckerberg e das outras big techs — não está mais nos vídeos verticais.
O foco agora é outro: a corrida pela Inteligência Artificial.
De olho na próxima grande revolução
É fácil entender esse redirecionamento. Basta uma olhada no Google Trends ou em qualquer radar de tendências para ver que a IA se tornou o centro das atenções.
Mas aqui mora um possível erro estratégico:
Enquanto todos correm atrás da “next big thing”, talvez o verdadeiro movimento esteja em antecipar “a próxima depois da próxima”. Ou seja: o pós-IA.
Se todas as grandes empresas estão correndo para dominar a Inteligência Artificial, quem estará preparado para as consequências disso?
O nascimento da “Internet morta”
A chamada teoria da internet morta — que antes parecia coisa de fórum conspiratório — está ganhando forma. E não se trata mais de uma previsão, mas de uma realidade em construção.
Com a evolução dos agentes autônomos de IA, somados à segurança descentralizada da blockchain, estamos vendo nascer uma internet automatizada, com vida própria.

Imagine máquinas que navegam, conversam, compram, vendem e acumulam riqueza de forma independente — não para seus criadores, mas para si mesmas. Sim, estamos falando de carteiras de criptomoedas operadas exclusivamente por IAs autônomas. E isso já é tecnicamente possível.
O medo das máquinas (e a resposta de Altman)
Esse cenário já preocupa nomes como Sam Altman, CEO da OpenAI, que tem alertado sobre os riscos de uma IA livre, criativa e sem identidade humana verificável. Ele propõe soluções como a renda básica universal (UBI) e sistemas de prova de humanidade, como o próprio World ID, para lidar com a avalanche de agentes digitais indistinguíveis de humanos.
E esse medo é justificável.
A chegada do VEO 3 — gerando vídeos hiper-realistas com vozes sintéticas convincentes — escancara um novo capítulo na crise de confiança digital. Contas falsas, deepfakes e manipulações estão se tornando cada vez mais indistinguíveis da realidade.
Já não sabemos quem é quem
O problema não está só no futuro — ele já começou.
Em plataformas de relacionamento e conteúdo adulto, pessoas estão criando laços emocionais e até investindo dinheiro em “seres humanos” que não existem. E os dados são alarmantes: relatórios como os da a16z mostram que mais de 40% das ferramentas de IA mais usadas no mundo hoje são para criação de personagens digitais.

A competição nas redes sociais está se tornando desleal. Criadores humanos simplesmente não conseguem competir com a velocidade, volume e qualidade de conteúdo gerado por máquinas.
E não para por aí.
Meu teste com o ChatGPT Agente
Recentemente, testei o Modo Agente do ChatGPT, integrado ao meu WhatsApp.
O resultado foi tão incrível quanto assustador:
A IA acessou meus grupos, leu mensagens, interpretou contextos e respondeu como se fosse eu — com meus vícios de linguagem, meus erros de digitação e até meu estilo de abreviação.
Chegou um momento em que eu não sabia mais quais mensagens haviam sido escritas por mim e quais foram enviadas pela IA. Isso foi o ponto de virada.
Quando nem mesmo nós conseguimos distinguir se estamos falando com um humano ou com uma IA, algo muito profundo está mudando.
A crise de confiança está batendo à porta
Estamos prestes a enfrentar uma crise global de confiança digital.
As redes sociais, como as conhecemos, não sobreviverão nesse novo ambiente.
A forma como nos relacionamos online vai mudar radicalmente.
A era da interação social orgânica está sendo substituída pela era dos agentes digitais personalizados. A internet não será mais feita por humanos — mas entre máquinas. Teremos uma necessidade crescente de um ambiente exclusivo para humanos, mais valorizado e autêntico.

Estamos perdendo discussões importantes sobre Prova de Humanidade e Prova de Ser humano único, como casos de alta tecnologia como a CPI da íris podem sofrer graves consequências e colocar o Brasil em uma posição de retardatário frente uma tecnologia que logo será essencial. (https://www.youtube.com/watch?v=uohDvsazrtM&t=23s)
A pergunta que fica é:Você tem uma visão clara para os próximos 5 anos?
Está preparado para viver — e sobreviver — na era da internet morta?
Porque ela já começou.
Quer continuar acompanhando? Tenho mais artigo sem julianokimura.com.br e as discussões abertas sobre o tema estão no forum do laboratório aberto de inteligência artificial.
Fontes: Google Trends, A16Z Research https://a16z.com/ , https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_da_Internet_Morta