O tema “tempo” nunca foi tão presente como nos dias de hoje! Em artigos, post, chats e conversas de corredores, sempre ouvimos frases conhecidas, como:
- O tempo tá passando muito rápido!
- Nossa, o tempo está voando!
- Não acredito que faz tanto tempo assim!
- Dezembro? Já? Nem vi o tempo passar!
A lista é imensa! E por trás de tudo isso duas certezas: de que o tempo está mais rápido e de que novas tecnologias surgem antes mesmo de anteriores serem totalmente consumidas ou compreendidas.
Profissionais, empresas, estudantes e pesquisadores, estamos todos nesse redemoinho de inovações, que empolga e assusta pelo dinamismo. E nos falta tempo para digerir tudo o que está chegando e já chegou. Algumas discussões nascem com data de validade até: esse artigo mesmo, melhor ser consumido em até 3 meses ou 3 semanas! 3 dias?

É como se o nosso velho “Capacitor de Fluxo” estivesse descalibrado. Estamos constantemente viajando no tempo, para frente, sempre, cada vez mais rápido! E assim, estamos diante de 2025 e suas incertezas e certezas! Entre guerras, emergências climáticas, drones, IAs e Quantum.
Pensando nesse contexto, algumas tendências estão no meu radar faz algum tempo, que considero especiais para se manter no visor! Mas claro, muitas outras tendências existem! Escolhi apenas essas pela proximidade e provocação!
Confira aqui enquanto dá tempo! Antes que acabe!😊
- Hiperconectividade de aplicações
Quando falamos sobre aplicações modernas hiperconectadas, estamos pensando no impacto da expansão do 5G e de tecnologias de comunicação via satélite, na criação de aplicações chamadas hiperconectadas.
A evolução das gerações de comunicação móvel, culminando no 5G, deve oferecer velocidades de até 20 Gbps e latência inferior a 1 ms, fundamentais para IoT, computação de borda e aplicações em tempo real, como nunca vimos antes. Simultaneamente, constelações de satélites de órbita baixa, como Starlink e OneWeb, devem ampliar a conectividade em áreas remotas e distantes de grandes centros.
Essa super conectividade de aplicações e avanços deve transformar setores como agronegócio, saúde, indústria e cidades inteligentes, viabilizando telemedicina, otimização industrial e a captura massiva de dados, reduzindo o tempo necessário entre captura de um dado e atuação ou resposta. Para desenvolvedores, o paradigma se volta para aplicações distribuídas e escaláveis, alinhadas a uma hiperconectividade até 2030, mas que já deve acelerar a partir de 2025.
- Agentes e Parceiros de IA
A Inteligência Artificial (IA) vive um momento de expansão acelerada e diversificada, impulsionada pelo surgimento de novos modelos generativos, LLMs, multimodais, multi-agentes e novas plataformas. Desde o lançamento do ChatGPT em 2022 (nem faz tanto tempo assim), temos visto avanços inéditos e investimentos maciços em infraestrutura de treinamento, como o projeto Colossus da XAI, com mais de 100 mil GPUs dedicadas a IA, além de investimentos continuados em datacenters e novos modelos da OpenAI, Microsoft, Google, Meta, Anthropic, entre outras, com resultados cada vez mais sofisticados e realistas, seja para imagens, vídeos e conteúdo em geral.
Nesse contexto, assistentes de IA tornaram-se centrais nas estratégias corporativas, mesclando expectativas, oportunidades reais e preocupações quanto a segurança da informação, a ética e a responsabilidade em aplicações com inteligência artificial. Duas grandes tendências se desenham para 2025:
- Sistemas multi-agentes: vários agentes e modelos de IA trabalhando em conjunto, equilibrando forças, aprimorando a precisão e garantindo confiabilidade nas respostas. Esse ecossistema emergente pode incluir agentes especializados em diferentes domínios e fontes de dados, tornando as aplicações mais complexas e robustas. Na Microsoft, os novos Agentic AI Frameworks, como AutoGen e Semantic Kernel foram recém anunciados, confira:
- IA em áreas específicas e complexas: modelos treinados com dados provenientes de simulações avançadas, incluindo as geradas por supercomputação (HPC) e computação quântica, prometem ganhos de acurácia e performance em campos como química, descoberta de medicamentos e dinâmica molecular. Nesse contexto, o artigo publicado semana passada explorar o tema em detalhes, confira:
Esses movimentos em conjunto apontam para um futuro em que a IA se tornará cada vez mais integrada a diversas áreas da sociedade e da atividade humana, impulsionando inovações, aumentando a confiabilidade em seus resultados e abrindo caminho para aplicações antes inimagináveis. Estamos gradualmente saindo do “PROMPT ENGINEERING” para a boa geração de conteúdo, e movendo para o “PROMPT TO ACTION”, quando nossos prompts geram comandos para o disparo de uma ação específica no mundo real, com impacto sobre atuadores, IOT e inúmeros cenários.
- Tecnologias Quânticas
Iremos ouvir muito mais sobre tecnologias quânticas em 2025, afinal, será o ano internacional sobre o tema, segundo a UNESCO! Confira: https://quantum2025.org/en/.
Já falamos muitas vezes sobre o tema aqui na coluna, mas vale sempre lembrar: a computação quântica explora princípios da mecânica quântica, como superposição e emaranhamento, para processar informações de maneira probabilística e paralela, reduzindo drasticamente a complexidade de problemas complexos. Enquanto computadores clássicos lidam com bits (0 ou 1), computadores quânticos usam qubits (ou bits quânticos), capazes de representar ambos os estados simultaneamente (em uma combinação de valores), o que possibilita ganhos de velocidade e eficiência inéditos.
Atualmente, vivemos a era NISQ (Noisy Intermediate-Scale Quantum), em que dispositivos quânticos com dezenas ou centenas de qubits ainda enfrentam desafios de operação, pela correção de erros e tempos de processamento limitados.
Mas enquanto pesquisas avançam rumo a máquinas mais robustas, com qubits lógicos sobre centenas ou milhares de qubits físicos mais estáveis e confiáveis, vemos empresas como Quantinuum anunciando as primeiras máquinas universais tolerantes a defeito sobre centenas de qubits lógicos resilientes para antes de 2029, confira:
Essa evolução, aliada a novas métricas, plataformas e tecnologias de implementação e controle, prepara o caminho para uma integração mais próxima e robusta com HPC e IA, em áreas como química e ciência de materiais, trazendo avanços significativos nos próximos anos. Com certeza, essa jornada deve iniciar sua aceleração já em início de 2025!
Por exemplo, confira o anúncio da parceria entre Microsoft e Atos, para o lançamento de uma máquina com record em qubits lógicos, aqui:
- Robótica, Robôs e mais IA
E aqui, sairemos das séries e filmes da NETFLIX e tocaremos a realidade. A robótica caminha para um novo patamar em 2025, impulsionada também pelos avanços em inteligência artificial, sensores de última geração, unidades autônomas, atuadores e capacidades de aprendizado autônomo. Robôs industriais já estão mais flexíveis, colaborativos e capazes de executar tarefas complexas com precisão, enquanto dispositivos de serviço e domésticos adquirem maior autonomia, empatia e interação natural com seres humanos, através da integração com o processamento de linguagem natural de modelos LLM.
Essa evolução deve reduzir barreiras entre ambientes físico e digital, acelerando a adoção em setores como logística, varejo, agricultura, saúde e serviços públicos.
A combinação de novas plataformas robóticas, ferramentas de desenvolvimento mais acessíveis e integração com IA e computação de alta performance deve promover uma disrupção significativa. Ao otimizar cadeias de suprimentos, aumentar a produtividade e liberar trabalhadores de funções repetitivas, a robótica deve alterar a dinâmica do mercado de trabalho, exigindo novas competências e fomentando políticas para educação e requalificação, algo que já vemos como necessário para a convivência com a inteligência artificial em nosso dia-a-dia.
Os últimos reports de diferentes fontes sobre Robotics Trends citam tendências como:
- Integração com modelos generativos e mais IA para cenários autônomos: podemos esperar maior integração de sistemas robóticos com interfaces de processamento de linguagem natural, tornando a interação entre humanos e essas máquinas mais fluida e natural.
- Cobots, ou robôs colaborativos, também chamados de robô companheiro, consiste de um robô projetado para a interação direta entre humanos e robôs em um espaço compartilhado, ou em situações nas quais humanos e robôs trabalham próximos uns aos outros. São portanto diferentes de robôs industriais. A segurança dos cobots pode depender de materiais leves, bordas arredondadas e limitação inerente de velocidade e força, ou de sensores e softwares que garantam um comportamento seguro na presença de humanos. Podemos esperar um crescente número de Cobots a partir de 2025, em diferentes tipos de atuação, como braços articulados, cobots móveis, cobots de visão, entre outras.
- Swarm Robotics, outro tema muito especial para 2025. É um ramo da robótica inspirado no comportamento de insetos sociais, como formigas ou abelhas, em que um grande conjunto de robôs simples e relativamente independentes trabalha em conjunto de forma coordenada. A ideia central é que cada robô, individualmente, possui capacidades limitadas, mas, quando muitos atuam juntos, seguindo regras simples de interação e cooperação, conseguem executar tarefas complexas de maneira mais eficiente, robusta e flexível. Essa abordagem não depende de um controle centralizado; a inteligência emerge do comportamento coletivo, tornando o sistema mais resiliente a falhas individuais e capaz de se adaptar rapidamente a mudanças no ambiente. É um tema importante para se acompanhar em 2025.
- Biomecânica e biomimética são outros exemplos de áreas promissoras em robôtica. Aqui, robôs que imitam comportamentos ou movimentos de elementos da Natureza criam impacto em diferentes áreas, como o robô medusa, que imita o nadador mais eficiente da natureza, a água-viva “Aurelia aurita” para a proteção de recifes ameaçados. Veja a matéria, aqui: Robot ‘jellyfish’ to protect endangered coral reefs
- E processamento em Tempo-Real para atuação na borda, para uma infinidade de cenários. Ficou interessando nesses temas, confira mais aqui: International Federation of Robotics
Nesse cenário, 2025 deve acelerar uma sociedade convivendo com robôs como parceiros estratégicos, inicialmente para tarefas pequenas, mas que deve se ampliar ao longo do tempo, remodelando nossa forma de interação homem-máquina.
- Cibersegurança e IA Responsável
Segurança, Segurança, Segurança! E IA Responsável com mais Segurança!
Esse será um tema presentes em 2025, sem dúvida! A forma como construímos aplicações deverá seguir os três pilares, como indicado pelo Satya Nadella, durante sua abertura do Ignite 2024, em novembro, confira:
Full Keynote: Satya Nadella at Microsoft Ignite 2024
Em sua sessão, Satya apresentou a iniciativa de futuro seguro na Microsoft (chamada Secure Future Initiative), onde focamos aplicações e plataforma:
- Segura por desenho (Secure by design)
- Segura por definição (Secure by default)
- Segura nas operações (Secure operations)
Essa abordagem deve permear toda a forma como produzimos software, treinamos modelos, manipulamos contextos e consumimos informação. São elementos primordiais de uma abordagem de IA Responsável e de aplicações seguras.
Sem um foco intencional em segurança da informação, a sofisticação de ataques cibernéticos, instrumentados por IA em 2025, será um dos maiores desafios para todos os setores da sociedade.
Nota: em início de outubro eu estreava essa coluna, com um primeiro artigo que já falava de 3 dessas tendências: hiperconectividade, AI Co-Reasoning e Quantum, confira:
Megatrends: IA Quântica e Tecnologias Transformadoras
Mas 2 meses foi pouco tempo para removê-las da lista, então essas tendências continuam importantes para 2025.
2025 será novamente um tempo de IA
De fato, a inteligência artificial (IA) tem influenciado significativamente nossa percepção do tempo, transformando tanto a maneira como experimentamos quanto como utilizamos o tempo que temos. E essa transformação ocorre porque a IA acelera processos que antes demandavam muito tempo, oferecendo respostas instantâneas, previsões rápidas e automação de tarefas complexas.
Mas isso levanta questões importantes sobre nossa capacidade de lidar com o ritmo acelerado que ela impõe.
Nossa percepção sobre o tempo está mudando
- Imediatismo das respostas: a IA tem nos acostumado com resultados imediatos, desde buscas por informações até diagnósticos médicos. Essa velocidade está redefinindo nossas expectativas de eficiência, tornando a espera menos tolerável.
- Compactação do tempo: a automação está permitindo realizar em minutos ou segundos tarefas que antes exigiam horas ou dias. Isso cria uma sensação de que o tempo foi “esticado” para incluir mais atividades em um mesmo intervalo.
- Ritmo de atualização constante: o aprendizado contínuo das IAs e as atualizações frequentes de tecnologias criam um senso de urgência para se manter atualizado. Sentimos que o tempo “corre” mais rápido porque o mundo ao nosso redor muda em uma velocidade sem precedentes.
Estamos realmente preparados para esse ritmo acelerado com a IA?
Embora a IA traga benefícios, e não são poucos, há razões para questionarmos se estamos emocional e cognitivamente prontos para acompanhar essa aceleração.
Pessoalmente, sou otimista quanto a isso, mas já existem discussões importantes sobre temas como sobrecarga cognitiva, desconexão do tempo natural, síndromes de ansiedade, F.O.M.O, burnout, entre outros desafios diante de uma hiperatividade de conteúdo, sem o correto e necessário skilling, preparação e capacitação de pessoas e profissionais.
Assim como IA nos oferece oportunidades sem precedência de realização, eficiência e conquistas, o tempo demanda com urgência um tempo de capacitação, de preparação, educação continuada e reflexão urgentes, para se aproveitar esses benefícios de uma Era nascente com IA.
Como podemos nos preparar para 2025 e o tempo além?
Claro, isso aqui é apenas um artigo, uma reflexão muito superficial sobre o tema, apenas com algumas ideias. Mas acredito que algumas atividades podem ajudar:
- Equilibrar velocidade e tempo de reflexão: incorporar pausas conscientes em nosso dia a dia pode ajudar a lidar com o ritmo acelerado da IA. Meditação, momentos offline e tempo para reflexão serão cruciais.
- Manutenção do nosso letramento constante: nos capacitar para entender e controlar o uso da IA, em vez de sermos controlados por ela, é fundamental. Isso inclui skillings básicos, de geração de bons prompts ao domínio sobre as limitações e aplicações diferentes de IA ao nosso redor. Letramento envolve repensar carreiras, formas de atuação e ferramentas de produtividade (novas com IA) que usamos para desempenhar nossas atividades.
- Regulações de IA ajudam: desenvolver IAs que respeitem os limites humanos, incluindo funcionalidades que promovam diversidade e inclusão deve fazer parte de todo projeto envolvendo IA em 2025. Regulação e IA Responsável serão temas recorrentes, assim como foi e tem sido GDPR ou LGPD.
- Retomada do respeito com o tempo humano: as organizações podem promover culturas de trabalho que valorizem a qualidade sobre a quantidade e a eficiência sobre a urgência. IA pode e será uma ferramenta estratégica também na implementação dessas políticas.
A IA em 2025, assim como as demais megatrends citadas aqui, deve acelerar processos e experiências diversas. Mas também irá nos desafiar a redescobrir como usar o tempo de forma intencional e com qualidade.
Assim, prepare-se para um novo ritmo de experiências humanas com IA cada vez mais próximas no dia-a-dia!
Isso não significa correr mais rápido, estudar mais, fazer mais coisas, ou ler mais de forma afobada, mas sim aprender a desacelerar quando necessário e recuperar o controle sobre nossa própria relação com o tempo.
Afinal, quanto tempo o tempo tem?
Bom, fiz essa pergunta para minha IA, a “Joy” usando ChatGPT o1. Veja o que ela respondeu:
“Quanto tempo o tempo tem?” não tem uma resposta exata, pois o tempo não é um objeto físico com limites mensuráveis como um recipiente. É uma construção abstrata, um conceito que utilizamos para medir mudanças, sequências de eventos e durações. Dependendo da perspectiva, o tempo pode ser visto como uma dimensão contínua, fluindo independentemente de nossa percepção, ou pode ser entendido como algo relativo, influenciado pelo ponto de vista e referencial de um observador — como a teoria da relatividade de Einstein sugere. Portanto, a resposta varia conforme o contexto filosófico, científico ou subjetivo:
…o tempo não “tem” tempo, pois ele próprio é a estrutura na qual medimos todos os intervalos e acontecimentos.
Boas Festas para todos e que 2025 seja muito mais que apenas um “intervalo”, mas sim um novo tempo repleto de novas conquistas, bons acontecimentos e realizações! Sucesso!










